Um papo descontraído e divertido com Victor Ricelli (Jipp Willis), um dos fundadores da banda Coke Luxe.

Neste último domingo, 20/02/2011 entrevistamos para o documentário, Victor Ricelli um cara que para muitos na cena rockabilly possa parecer um pouco desconhecido mas além de ter sido um dos fundadores do Coke Luxe, é o compositor de um dos maiores clássicos do rockabilly nacional, a música Roque o Azarado, também conhecida como Conta da Light.

Victor, tocou bateria na primeira formação do Coke Luxe, onde chegou a gravar o compacto, É Rockabilly e o LP “Rockabilly Bop”. Na época era conhecido como Jipp Willis, uma alusão ao carro Jeep Willys.

A entrevista rolou num clima bem descontraído e muito humorado em sua casa, alias o bom humor é uma característica marcante nas composições do Victor que procurava sempre usar o humor como protestar problemas do cotidiano e das grandes metrópoles.

Além da versão de Everybodys Movin (Roque o Azarado), compôs e fez versões de muitas musicas da banda como por exemplo: Avenida Angélica, Você fez mal para a minha irmã, Sonho do Baú, INP Rock e ainda em parceria com o Piga, compuseram Não beba papai, Bafo Rock entre outros clássicos.

A história do Victor não começa no Coke Luxe, ele começou a tocar em 1962 num conjunto de jazz e a partir do surgimento dos Beatles se envolveu com o rock & roll, participando na Jovem Guarda tocando no conjunto Os Fanis, acompanhando Vanusa, Antonio Marcos e Martinha.

Em 1983 o Eddy Teddy havia parado com a banda Satisfaction (banda que tocava basicamente covers da década de 60) ele tinha mergulhado de cabeça no Rockabilly.

Nessa época o Eddy organizava uma reunião mensal na Av. Mandaqui entre colecionadores de discos e curtidores de rock & roll chamada Feirinha de Disco e numa destas feiras apareceu o Victor que tinha sido baterista do Revolution, grupo de Marco Antonio Malagoli para conhecer o novo batera do Revolution, afinal a banda iria se apresentar.

Em um bate papo com o Eddy, escutou que ele estava querendo montar uma banda de rockabilly e o Victor além de ficar afim de tocar, disse que tinha um baixo acústico em sua casa (o baixo foi posteriormente batizado de Julhão) e o Eddy pirou com a notícia, mostrou pra ele um disco do Buzz and the Flyer´s e o Victor topou na mesma hora encarar o projeto.

Resolveram achar um baixista que tocasse baixo acústico e um guitarrista que tivesse essa pegada, também decidiram que a banda teria que fazer um repertório com letras em português.

O Eddy só conhecia um cara capaz de tocar um baixo de pau, o Pigmeu (Piga) que estava tocando Jazz, MPB e fazendo gravações de estúdio.Fez o convite e o Pigmeu resolveu arriscar. O Victor tinha um amigo de adolescência (Lelo) que tocava guitarra e já tinha tocado com ele, o cara sabia tudo sobre rock instrumental, rock and roll ( principalmente Elvis e Beatles).

A banda estava formada. Não existia uma cena rockabilly no Brasil e da mesma forma que todos da banda tinham sido contaminados por este ritmo alucinante, conseguiam durante as sua apresentações transferir a mesma energia para as outras pessoas e com isso a cada apresentação o público eram contaminados pelo vírus da Coke Luxe.

E foi numa das primeiras apresentações que o produtor Luiz Calanca da Baratos Afins resolveu apostar e produzir os discos da banda.

Nessa época estavam pintando bandas como Blitz e o Magazine e eles decidiram ficar no meio disso. O nome COKE LUXE surgiu da vontade em confundir a palavra coqueluche, que além de significar uma doença, servia de gíria para especificar o que esta na moda.

Victor lembrou de várias passagens da banda, entre elas do show no Madame Satã onde estava presente o Cazuza e todas as outras danceterias que marcaram a decada de 80, inclusive fora de São paulo.

Um outro lance interessante lembrado por ele, foi de uma banda de garotos que um dia abriu o show do Coke Luxe e na época eram muito pouco conhecidos e muitos nem acreditavam se duraria tanto tempo pela quantidade de músicos, essa banda era o Titãs, hoje um dos maiores nomes do rock nacional.

Lembrou da sua saída da banda e de como estavam com medo da ascensão tão rápida do Coke Luxe e o medo que todos tinham de ter que arriscar abandonar o trabalho assalariado e viver do rock ainda mais quando se tem esposas e filhos para criar.

Para encerra comentou da última apresentação que fez ao lado do Eddy Teddy num revival do Coke Luxe no dia que o Krents (banda dos filhos do Eddy, Luiz e Marcos) lançaram o cd também pela Baratos Afins.

Esse show aconteceu no Café Piu Piu, uma casa que abrigou o Coke Luxe no início da banda e curiosamente foi também o último show do Eddy Teddy, um mês antes do seu falecimento.

VICTOR RICELLI – Baterista e líder do grupo BOSSA BRAZILLIS, autor do projeto musical/cultural que presta homenagem aos Trios da década de 60. Atuou ao lado de Juarez Santana, Evaldo Soares, Karlaum (Jongo Trio), além de ter sido side-man de Antonio Marcos e Vanusa na década de 60.

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2 Respostas to “Um papo descontraído e divertido com Victor Ricelli (Jipp Willis), um dos fundadores da banda Coke Luxe.”

  1. Ian Leite Pimentel Says:

    Olá, tudo bom?

    Sou estudante de produção editorial na Universidade Anhembi Morumbi e nesse semestre nosso grupo começou uma pesquisa sobre as raízes do rockabilly no Brasil. Foi ai que chegamos no Eddy Teddy. Essa pesquisa está sendo feita para gerar um espécie de jornal cultural experimental sobre esse gênero musical, e para isso precisamos fazer pequena pesquisa. Se vocês puderem responder e passar para outras pessoas que gostem do gênero, ficaríamos MUITO gratos, a pesquisa é bem pequena, não levará nem 5 minutos para ser respondida.

    O link é: http://bit.ly/lmI8Xk

    Desde já agradeço,

    Ian

  2. madie Says:

    hey! bom eu nao me intitulo rocker ou psycho (apesar de adorar), nem nada, sou mais uma minazinha q curte post-punk e deathrock, mas vei, viajeiiii nesse blog, mesmo!
    sei lah, me fez lembrar como eu curtia dar rolê ai em sp, de como comecei novinha e isso dura quase 10 anod jah… apesar de o rolê goth/postpunk/deathrock/punk pra mim jah nao ser o msm de 10 anos pra cah, e por isso msm parei de colar… mas sei lah, deu ateh uma saudadezinha hahaah mesmo nao sendo o msm rolê, é tudo rolê e tá tudo alí, um do lado do outro, e querendo ou não, ler sobre a cena underground nacional me fascina, e me dá até vontade de voltar carregar no visu um dia (mesmo sabendo das tretas q estão por vir haha)
    bom eh isso cara,espero q continue postando, achei mega legal 🙂

    até mais

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